Minha Hora Silenciosa


Aprender a viver sem fé?
20/Agosto/2008, 11:08
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Estou lendo o livro “Aprender a viver“, de Luc Ferry.  Este livro pretende dar uma visão geral da filosofia, mostrando como esta matéria tem buscado a “salvação” humana através de sua própria razão. A premissa básica é que o homem é capaz de aplacar a angústia causada por sua finitude através de uma boa reflexão. Para ele, a fé não tem lugar na filosofia, pois razão é uma oposição à fé.

Se eu tivesse contato com esse autor, eu faria algumas perguntas:

  • Será que ele não tem muita fé na razão? Afinal ele está partindo de um axioma básico ao se dedicar à razão humana: a razão humana é confiável. Será que ao confiar na razão humana ele não demonstra tanta fé quanto uma pessoa que crê que em uma “Razão Superior”?
  • Se o ser humano tem razão confiável, por que a hunanidade age irracionalmente? Acaso o cérebro humano é uma máquina de pensar perfeita para ser tão confiável?  Ou somente alguns “iluminados” são capazes de tais reflexões confiáveis?
  • A morte sendo fato normal e corriqueiro da vida e a essa razão humana tão perfeita conhecendo esse fato desde os seus primórdios, por que nenhum “mecanismo evolutivo” (ou coisa que o valha) foi criado para conter essa angústia causada pela morte, que segundo o autor, é a razão das coisas ruins que existem na humanidade?

Ainda estou no primeiro capítulo. Espero que ele responda algumas dessas questões no decorrer do livro.



O homem em seu devido lugar

A abordagem inicial de Romanos rompe com qualquer pretensão humanista. É por isso que o capítulo primeiro desta carta é sempre lido em diagonal quando não muito ignorado ou suavizado pelos néo-teólogos.

Desde a Criação o homem veio descendo ladeira abaixo até ficar do jeito que o diabo gosta. Essa mistura de ignorância, egocentrismo e auto-suficiência produziu a frase de Protágoras na grécia-antiga:

“O homem é a medida de todas as coisas”

Dali pra frente foi o Iluminismo de Descartes, a Psicologia de Freud e a baboseira de Nietzsche até que hoje o homem em sua ignorância quer experimentar Deus e encontra um reflexo de si mesmo.

Mas chega de falar dos etruscos, gregos, pensadores e psicólogos. Vamos falar de coisas mais interessantes como eu e você. Não sei você leitor, mas às vezes penso que existe algo de errado no mundo. Algo inquietante que berra aos quatro cantos que o mundo não deveria ser desse jeito. Por que a impressão de que fazemos o errado mesmo quando um sussurro dentro de nós revela o correto. Precisamos ser o homem descrito em Romanos 1? Será a filosofia contemporânea uma alternativa à antropologia bíblica?

O livro de Romanos explica como o homem degringolou até Ruanda ou o holocausto de Hitler. Esperamos ver agora como sairemos do atoleiro.



Simplicidade: será possível?

Estou lendo o livro de Richard FosterA liberdade da simplicidade“. O título do livro me atraiu por que vivemos num tempo cheio de complicações de todos os tamanhos e cercados por pessoas complicadas por todos os lados.

O autor fala sobre generosidade, desapego material, mudança de hábitos de consumo, mudança de hábitos de vida. Não coloca nada como lei ou “obrigação de um bom cristão”. Ele simplesmente sugere alguns passos práticos. Achei muito interessante suas sugestões pois desafiam a todos nós como Jesus desafiou o jovem rico (Mc 10.17-29).

Será que estamos dispostos a mudar para um lugar mais pobre? Receber um salário mais baixo? Gastar menos com decoração, moda, eletrônicos? Consumir menos energia elétrica e menos combustível em nome da preservação do meio ambiente? A criarmos nossos filhos e não abandoná-los na frente da TV? A doarmos tudo o que sobra além de nossas necessidades básicas?

Todos os passos sugeridos em busca da simplicidade envolvem muito mais do que a libertação do dinheiro. Elas englobam o abandono da vaidade da busca da beleza e juventude, o desprezo em ser bem sucedido pelo padrão do mundo, a coragem de buscar um caminho diferente e principalmente a fé em Jesus para perseverar nesse caminho com o coração leve e cheio de paz.

Sim, certamente a simplicidade é liberdade. Não precisamos viver preocupados com o futuro. Não precisamos viver preocupados com a opinião das outras pessoas. Não precisamos atingir nenhum padrão de beleza, nem de desempenho, nem de sucesso. A vida é desfrutar do amor de Cristo, repartindo esse amor com todos quanto cruzem o nosso caminho.  Não consigo imaginar nada mais simples e nem melhor que isso. 

A simplicidade nasce do coração libertado pelo amor de Cristo.



Panorama de Romanos
7/Agosto/2008, 12:08
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Panorama da carta de Paulo aos Romanos

Aspectos da carta

Autor: apóstolo Paulo (Rm 1:1)

Quando: provavelmente entre 57 e 59 d.C. Data da terceira viagem missionária e antes da prisão em Jerusalém (60 d.C.) e do martírio em Roma (67 d.C)

Indícios:

  • Rm 1:10-12; Rm 15:23; At 19:21 – Paulo desejava visitar Roma (ainda não os conhecia pessoalmente) de passagem para a Espanha.
  • Paulo tinha que ir para Jerusalém para levar ofertas para esta igreja. Seria preso como narrado em At 21-22.

Onde foi escrito: provavelmente em Corinto ou Éfeso (lugares onde ficou mais tempo segundo a narrativa da 3ª viagem missionária em Atos 18 (Rm 15:23).

Destinatários da carta: cristãos da igreja em Roma (Rm 1:6-7). Igreja fundada por judeus (At 18:12 e Rm 16:13) mas com a presença de muitos gentios (Rm 11:13; 15:15-16).

Contexto cultural e político: Roma, a capital do império, era o centro do mundo greco-romano civilizado. Era uma cidade “cosmopolita”.

Tema: “A justiça exigida por Deus é a fé no Evangelho” (ver Rm 1:16).

Objetivo: reforçar para a igreja de Roma os fundamentos do Evangelho de Cristo testemunhados e revelados ao próprio Paulo (Rm 15:15-18).

Temáticas da carta:

A necessária justificação do homem injusto (Rm 1:20; Rm 3:23).

Aspectos da justificação (Rm 5:1, Rm 5:18)

Obras (Lei) ou fé (Rm 3:28)? Justificação pela graça X a lei e o pecado (Rm 6:1-5; Rm 8:1-2).

A rejeição e o futuro de Israel (Rm 9:33; Rm 11:11; Rm 11:25-26).

Relacionamentos com o próximo, a igreja e o governo (Rm 12:8; Rm 12:14-15; Rm 13:1 Rm 15:1)

Despretensioso resumo de Romanos

I. A justiça de Deus contra o homem. Deus justo X Homem injusto (1-3)

II. A justificação perante Deus é pela fé (3-5)

III. A justificação é por meio da obra de Jesus Cristo (5)

IV. A nova condição do homem justificado (6-8)

V. A rejeição e a promessa final para Israel (9-11)

VI. Implicações práticas dos regenerados pelo Espírito na vida comunitária (12-15)

VII. Saudações finais e avisos importantes (15-16)

Veja em café na meia-noite o modo espresso



Honra e glória ao Senhor
29/Julho/2008, 16:07
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Num dos estudos sobre Levíticos do Rota 66, o pr. Luiz Sayão falou duas coisas que me fizeram pensar…
A primeira é que “costumamos honrar as pessoas com roupas bonitas em festas e ocasiões especiais”. O contexto do programa eram as obrigações especiais do sacerdorte, quais suas qualificações e de sua família. Isso me fez refletir em como tenho honrado Deus… Se bem entendo o Novo Testamento, não devemos honrar a Deus usando roupas especiais para ir ao culto no domingo ou com qualquer outro sinal externo. Honramos a Deus verdadeiramente nos submetendo a Jesus, permitindo que brote em nós os frutos do Espírito. Honramos a Deus amando e servindo o nosso próximo. Honramos a Deus pregando verdadeiramente a Palavra de Deus, doa a quem doer. É, talvez comprar uma roupa nova fosse mais fácil!

A segunda coisa que o pr. Sayão falou que me impressionou foi  que “quanto mais conhecimento da Palavra de Deus nós temos, mais responsáveis sobre nossas ações somos”. São coisas que até já ouvimos, mas um dia a gente escuta novamente e parece que uma ficha gigante cai sobre a sua cabeça. Parece que repentinamente entendemos as implicações dessas palavras. A graça de Deus me salvou, não foi por mérito. No entanto, tenho um compromisso com Deus, de serví-lO, obedecê-lO, amando-O. Como produzirei frutos se meu compromisso não for verdadeiro? Serei como o galho da Videira em que Deus cuida, dá recursos, mas não frutifica? Serei pior que o servo inútil pois aquele faz pelo menos sua obrigação?

Será tão difícil assim servir a Deus? Sim, é difícil, mas não tenho dúvidas de que o fardo de Jesus é muito mais leve que o pecado. Uma vida escravizada pelas aparências, pela necessidade de consumo, sucesso e juventude, pelo vazio de sentido, pelo desamor, pela desesperança, é absurdamente mais pesada e infeliz do que uma  vida de liberdade no amor Deus.

Deus nos dá força para prosseguir pelo caminho estreito e crescer em Seu amor e Sua graça.

Um texto que me ajudou nessas reflexões: 1Jo.



A banalização de Deus

É engraçado como hoje em dia tudo é banal, tudo é corriqueiro.
O trabalho, a religiosidade, os relacionamentos, sexualidade, tudo foi banalizado.
Até o mal é tratado como comum,  corriqueiro e, conseqüentemente, aceitável.
Problema típico desta Era da Informação, onde somos bombardeados com tantas notícias, que é até difícil reagirmos com a indignação ou admiração necessária a cada uma delas.

Penso nessas coisas sob o efeito dos programas sobre o Livro de Êxodo e Levítico do Rota 66.

No livro do Êxodo, Deus se revela da forma mais explícita de todo o Antigo Testamento. Ele se revela através dos sinais e maravilhas tanto no juízo contra o Egito quanto na sustentação do povo na peregrinação no deserto. Apesar de toda a supremacia que Deus demonstrou sobre os falsos deuses egípcios, o povo estava acostumado à religiosidade do Egito. Como é difícil mudar os hábitos! Mas ainda é mais difícil mudar a mente!

Também tenho o mesmo problema dos israelitas do deserto. Após de 5 anos de conversão, meu hábito de pensar sobre mim mesma “mais do que convém” ainda predomina. Pior, à medida que me acostumo a ler algumas passagens e não obedecê-las, elas começar a se tornar inócuas…

Não quero tornar meu relacionamento com Deus banal, comum, sem a devida reverência. Também não desejo ignorar a voz da consciência, banalizando o pecado e cauterizando minha consciência. Ah, muitas vezes é fácil ouvir ou estudar a Palavra de Deus e dizer: “Que linda essa Palavra! Como Deus é maravilhos! Mas como é difícil colocar isso em prática! Só pela graça!” Logo em seguida, voltar para casa (ou fechar o livro) e deixar de lado tudo quanto foi ensinado. Viver por minhas próprias forças, guiada pelas minhas próprias opiniões e influenciada pela sociedade e pelas circunstâncias… E não lembrar de Deus um momento sequer. Ou se lembrar é para colocá-lO para trabalhar para mim: “Deus faz isso, Deus faz aquilo em nome de Jesus!!!” Não! Não quero viver meu relacionamento com Deus desta forma.

Quero ser reverente com Deus, quero que Deus seja de fato a razão da minha existência, o sentido da minha vida. Quero viver com o coração cheio do seu amor, vivendo para serví-lO. Esse tem sido objetivo da minha vida, a vida guiada pelo Espírito. Deus me ajude! Pois sem Ele nada podemos fazer.



A riqueza do Gênesis
21/Julho/2008, 17:07
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Tenho estudado o Antigo Testamento, principalmente Gênesis neste último semestre por três razões principais. Primeiro, estudei Gênesis e os outros livros históricos (até na disciplina Teologia Bíblica do Antigo Testamento no CTL. Segundo por que o pastor da minha igreja (IBAB) pregou um série de sermões sobre Gênesis (disponíveis em site de mensagens da IBAB). E por fim, por que estou ouvindo a série de Programa Rota 66 sobre Gênesis.

São três abordagens completamente diferentes de três pastores brilhantes: Carlos Osvaldo Pinto (reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida), Ed René Kivits (pastor da IBAB) e Luiz Sayão (pastor da IBNU).

No CTL, estudamos os livros históricos enfatizando a mensagem e propósito de cada livro dentro de uma uma cosmovisão cristã, particulamente usando uma filosofia de história mais ou menos dispensacionalista. Ele desenvolveu uma forma de estudar o Antigo Testamento que onde se pode encaixar a ação de Deus em um padrão cíclico:

  • Deus permite o mal
  • Deus julga o mal
  • Deus liberta os eleitos
  • Deus abençoa os eleitos

É interessante por que a história biblica se encaixa neste esquema tanto no “macro” (Queda, Jesus, Reino de Deus,  novos céus e nova terra), como na história do povo de Israel, como nas histórias “micro” (José, Moisés, Davi, e outras).

Nesta matéria, ficou muito clara a paciência de Deus trabalhando o povo de Israel e trabalhando cada um como um servos de Deus. Como Deus soberanamente age no História humana e na história de cada ser humano com o único propósito de resgatar os seus eleitos, aqueles que de antemão Ele sabia que iriam reconhecer que precisam ser resgatados.

Na série de sermões do Pr. Ed René, o enfoque é outro. O enfoque é a busca da relevância do texto para os dias de hoje. Em cada mensagem, ele busca extrair do texto os princípios escondidos nas entrelinhas… Outros textos apenas foram usados como metáforas para condições ou conflitos humanos universais.  Sinceramente não concordo quando ele fala que “os personagens bíblicos são arquetípicos”. Pois dizer que personagens são arquetípicos implica dizer que são míticos, que por sua vez implica dizer que não são reais. Eu prefiro dizer que os personagens bíblicos são gente como a gente. Que Deus os abençoou apesar de quem eles eram. A Biblia é um livro extremamente realista onde os personagens não são idealizados, nem representam coisa alguma. A Bíblia descreve pessoas que viveram de verdade, e como todos nós amaram, choraram, se alegraram, rebelaram-se contra Deus, voltaram-se para Deus…

Apesar de não concordar com tudo que o Ed fala, eu gosto muito de suas mensagens. Ele sempre tenta tirar as pessoas do dualismo comum da vida religiosa, onde “isso é coisa pra igreja”, “aquilo é coisa do mundo”.  Ele integra a Palavra de Deus em todas as dimensões da vida humana. Vale a pena ouvir todas as mensagens.

O programa Rota 66 é um programa da Rádio Trans Mundial que tem duração meia hora cada e que tem por objetivo atravessar todos os 66 livros da Bíblia.  Estou ouvindo os programas de sobre o livro de Gênesis vorazmente. Comecei na segunda-feira (dia 14/07/2008) e já ouvi todos os 42 programas! A cada programa, o pr. Luiz Sayão estuda um ou dois capítulos de Genêsis. Seu estilo é didático e simples. Cada detalhe cultural, cada diferença de tradução, cada atitude esquisita de um personagem do texto é comentada. Os últimos 5 minutos de programas são dedicados à aplicação do do texto. Simplicidade e a profundidade de cada aplicação é impressionante.  Vou tentar escrever uma série de posts sobre os melhores programas.  Estou ansiosa para chegar em outros maravilhosos livros da Bíblia, tais como Eclesiastes e Romanos…

Enfim, Deus tem me abençoado muito através de todos os recursos que Ele providenciou para que pudéssemos entender Sua Palavra. Eu oro para que Deus me use para levar Sua Palavra e outras vidas também sejam abençoadas.



Minha hora silenciosa
15/Julho/2008, 22:07
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Este blog se destina a compartilhar minhas reflexões sobre espiritualidade cristã com todos os que por algum acaso “internético” venham cair aqui.

Desde que me converti tenho ouvido sobre a importância da “hora silenciosa” ou tempo devocional, um tempo diário dedicado à leitura da Bíblia e à oração. Confesso que não tenho sido bem sucedida em separar esse tempo. Sempre tentei “compensar” lendo livros evangélicos e até ouvindo música evangélica.

Quando entrei no CTL (Curso de treinamento de líderes do SBPV), fui obrigada a ler com maior freqüência a Bíblia. E o mais importante: aprendi a estudar a Bíblia. Nada de ler superficialmente…

Com o passar do tempo da minha nova vida, tenho chegado cada vez mais à conclusão que nada se compara ao estudo da Bíblia. Nada que o homem produza sobre Deus pode ter a autoridade da Palavra de Deus.

Não leio a Bíblia todo dia, continuo lendo os livros evangélicos (e não-evangélicos também), mas a Palavra de Deus é minha referência. Se tenho alguma dúvida sobre o que algum autor está falando, é para o que a Bíblia diz que me volto.

Tenho um longo caminho pela frente. A Bíblia é um livro de grande profundidade onde sempre me surpreendo com Deus, como Ele joga luz sobre a escuridão do meu coração. Acredito na transformação que o Espírito de Deus opera quando você busca por respostas em Sua Palavra.

O artigos postados aqui serão resultados do tempo que passo pensando em Deus e nas implicações do meu relacionamento com Ele.  Espero que escrever sobre Ele me ajude a permanecer mais firme em Sua Palavra e a crescer em Seu amor.